Textos extraídos da coluna Releitura, Jornal Sinal de Fumaça do Terreiro de Umbanda Tribo de Aruanda.
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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Quanto a símbolos ...

Pai Joaquim de Angola enquanto Preto Velho simboliza experiência e humildade. Não só pela forma que se apresenta incorporado, mas também pelos objetos que utiliza habitualmente em seu local de trabalho. 
Símbolos da união... Consegue lembrar algum ? Claro que sim.
O termo símbolo, com origem no grego σύμβολον (sýmbolon), designa um tipo de signo em que o significante(realidade concreta) representa algo abstrato (religiões, nações, quantidades de tempo etc.) por força de convenção, semelhança e/ou aproximação. Simbolizar é tão inerente ao ser humano que quando criança simbolizamos praticamente tudo. Brincando com o Matheus (filho do Pai Márcio e Ana Paula) durante a gira, o simbolizar era tão presente que quase gritei SARAVÁÁ PIAGETT. Porque faria isso ? simples. O pequeno Matheus esta com dois anos e oito meses, fato este que na Teoria do Desenvolvimento de Jean Piaget o enquadra no Estágio Pré-operacional. Também chamado de fase da inteligência simbólica, a criança já distingue um significador (imagem ou símbolo) daquilo que ele significa (o objeto ausente). Por exemplo: estavamos brincando de contar quantas folhas cada galho continha, o meu e o dele. Meu galho tinha menos folhas, porém de tamanho muito maior, enquanto o dele tinha muito mais folhas, porém bem pequenas. Para o Matheus, eu tinha mais folhas que ele, devido ao tamanho das minhas, mesmo tendo apenas 5 e ele 15. No final das contas, com um sorriso, queria levar todas para casa e fazer um carrinho, simbolizando-as de outra forma. SARAVÁ PIAGET.
Conseguiu lembrar alguns símbolos de união? Pai Joaquim falou de respeito às diferenças, oportunidades e principalmente união. Ao sentar para escrever, a única coisa que me veio à cabeça foi a marca de açucar e minha cidade natal, União da Vitória. Estaria eu passando por um estado de esturpor mental, derivado de uma gama muito alta de informações ? Sou daqueles que não vai afundo logo na primeira idéia e fiz questão de relacionar união à símbolo pelo simples fato de partir do abstrato para o concreto. Assim estamos acostumados, assim o faremos por toda eterniade.
O símbolo do Brasil já foi à floresta amazônica, hoje está muito mais relacionado a carnaval e futebol. Assim como o símbolo da páscoa já foi o coelho. Aqui jaz um coelho vencido pelo consumismo. Esta união de exemplos me faz pensar de que forma nossos símbolos vão se transformando e porque alguns permanecem tão fortes? Como a família que deixa o isolamento para trás para dar lugar ao conjunto. E que força tem uma família. Além de união é símbolo de força.
Não quero falar sobre a união que deveríamos ter. Quem sou eu para isso? Mas sim da união que já temos. Encontrei na Tribo uma família. E das fortes. Meu Pai de Santo em seu último comentário no blog <Releitura> relatou o que sentiu no espetáculo da Cia. Dança Masculina Jair Moraes, da qual faço parte. Se bem recordo era algo sobre estar assistindo-o ao lado de, além da sua família de sangue, sua família do terreiro e seus médiuns realizando aquele trabalho em palco. Disse a ele que era exatamente isso que sentia, pois apesar de integrar na Tribo de Aruanda a apenas dois meses, me sinto dentro de uma unida família que tão bem me acolheu.
Hoje, 17 de abril, é dia da voz. Faço questão através deste texto de concretizar meu sentimento, abstrato como tal, a todos os médiuns da casa. Ouçam minha voz ao lê-lo, pois se fosse para simbolizá-los, iria pelo mais simples. Quem sabe o sorriso do Matheus, o som dos atabaques ou mesmo o momento em que damos as mãos para cantar o hino da umbanda. Avante filhos de fé, unidos ao símbolo dos melhores sentimentos.
Minha faixa de vermelha foi para azul. Sem a intenção de gerar tanto impacto nesta alteração do meu Orixá regente, em um primeiro momento gostaria de ser lembrado ao invés de um guerreiro de Ogum, por um grande, bravo e feroz tubarão de Iemanjá. Já digerida a troca por parte do meu imaturo ego, toda vez que entro em meu quarto vejo um fofo golfinho de pelúcia sobre a cama. Sim, o Flipper. Um golfinho, não um bravo e feroz tubarão. Pasmem, meu simbolizar ridículo tentando reduzir uma vibração ao que um animal significa é exemplo do que fazemos o tempo todo. Então, ao simbolizar, seja união ou qualquer outra coisa, lembremos que estamos integrados e co-dependendo sempre um do outro.  Podemos carregar aquilo que nos cerca com qualquer significado. Para mim, união é Tribo.
Que tubarão feroz que nada, cada dia me identifico mais com o Flipper...        

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Harmonizando Atos

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Quando a Gira Girou ... 09/04
Gira de Exú é sempre uma surpresa. Não sei exatamente o motivo de tamanha adoração que esta mesma caiu no gosto dos umbandistas, só sei que comigo não é diferente. O respeito é percebido no ar, como quando passamos em frente a uma escolta policial. Entre caveiras e encruzilhadas, a gira do dia 09 de abril pode ser lembrada fortemente aos que lá estavam pela DISCIPLINA.
Precedendo o trabalho de Exus, o Caboclo Araymá, já ao descer demonstrou certa austeridade. Aquela de quem organiza. E por sua vez nos deu uma verdadeira lição de disciplina.  
Sempre me questionei que nível da vida deveria colocar em prática a disciplina: todos? E virar um estereótipo perfeito do verdadeiro obsessivo, se é que já não o sou. Ou apreciá-la com parcimônia, como a merecida cerveja de um domingo em família?
Sabemos que a voz do bom senso é o melhor remédio e também que não existe maior exemplo do que alguém de confiança para nos mostrar o caminho. Sim, confiança.
Martha Graham (dançarina americana, 1894/1991) dizia que “o corpo é moldado, disciplinado, respeitado, e com o tempo, passa a ser confiável”.  Disciplina e respeito como meio de atingir a confiança, tanto dos outros como de si mesmo. Ou você sempre confia em si mesmo? Tenho certeza que não, pois se Caetano Veloso cantava que: ‘cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é’, Clarisse Lispector sabiamente dizia que “Até cortar nossos próprios defeitos pode ser perigoso. Ninguém sabe o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...”.  Portanto depois de tantas citações sem sair do tom, digo que O Caboclo Araymá nos desperta para o bem que a disciplina faz em tempos de ‘tudo pode’. Graham, Caetano e Clarisse, para nossa busca diária ao autoconhecimento... a autodisciplina.
Voltando alguns quilômetros na história, observa-se que a disciplina estava diretamente ligada a violência física. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que nos socorra. Este sábado um exímio artesão fez minha guia de Iemanjá que impecavelmente trabalhada carregava nela uma medalha desta Santa.
O quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro surgiu na Ilha de Creta. Neste, de autor desconhecido, a Virgem Maria é representada a meio corpo segurando o Menino Jesus nos braços. Há a presença dos instrumentos da Paixão de Cristo levados por dois anjos ou arcanjos, com uma inscrição grega na parte superior das figuras.Retrata o movimento do Menino que vê os instrumentos da Paixão, assusta-se com eles e busca refúgio nos braços da Mãe. A mesma, que acolhe o Menino com ternura e compaixão, olha para frente como se estivesse contemplando os sofrimentos de seu divino Filho.
O que isso tem a ver com disciplina? De um lado o cuidado, do outro o medo. Tanto do que não conhecemos quanto do que conhecemos muito bem.
Na Idade Média, a guilhotina está no topo da lista dos melhores métodos para disciplinar aqueles que não seguiam a risca o que deveria ser feito. Usada contra os esquerdistas de plantão, era uma arma temida que serviu para substituir a forca. Por coincidência também matava pelo pescoço. Então se a moda era degolar, que se degole com luxo. Esse era o lema dessa máquina horripilante utilizada também no corte de cana, porém no seu manual de instruções, o aconselhamento era mesmo ao corte de cabeças.
Na gira de Exus nenhuma cabeça rolou, apenas uma tábua. Mas isso deixemos em ‘off’ e atentemos para a palavra norteadora de todo o texto e para aquilo que o Exu dos Rios não comunicou em palavras mas sim em gestos: a disciplina.
Se procurada no dicíonario, esta palavra em sua etiologia nos remete a “discípulo” que significa “aquele que segue”. E como bom seguidor daqueles que confio (sem obsessão), concluo este texto fazendo minhas, as palavras de Fernando Pessoa, que em sua obra “Ricardo Reis – Prosa” nos diz que:
“... a disciplina é um princípio regrador da vida e da obra, que a inteligência aceita como verdadeira e a sensibilidade aceita por boa. Sem a ação, sobre tanto sensibilidade como inteligência, não há disciplina: se a inteligência aceita e a sensibilidade não, há um mero diletantismo; se o inverso, há um conflito esterilizante, anarquisador.”
 De forma inteligente e sensível O Caboclo Araymá, juntamente com outras entidades que trabalharam na Tribo no último dia 09, deixaram a todos, verdadeiros exemplos de disciplina. Não afim de matar a personalidade, mas sim harmonizar os atos. Se por ventura um pouco de disciplina te assuste, clame por Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Qualquer identificação com uma criança sendo carregada no colo é mera concidencia.  
Disciplina é confiança ! Eu confio ...

·         Agradecimento especial ao exímio artesão Milton Jones.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

QUANDO A GIRA GIROU - 02/04


Fato isolado 1: Semana passada, de segunda a sexta, das 7 da manhã à meia noite, me perguntava se estava preparado pra isso. Depois de muito pensar, cheguei a temida conclusão, não estava... não estou.

Algumas situações em nossas vidas exigem uma preparação específica, outras simplesmente temos que lidar com nossa experiência. O que é mais importante, experiencia ou preparação?
Saber usar essas duas ferramentas define a qualidade de cada coisa que você faz.
Hoje (domingo,3/04), lendo a Gazeta do Povo, me deparo com esta pergunta. Dentro do caderno comercial, Flavio Rezende, Diretor do Departamento de Pesquisa do Conselho Regional – CORECON, destacou que:
“Em nossa carreira é necessário um perpétuo desenvolvimento, porque as mudanças do cenário econômico precisam ser acompanhadas de perto”
Fácil perceber que não é apenas na carreira profissional que este perpétuo desenvolvimento citado por Flavio Rezende é de fato necessário, e que as mudanças em nosso cenário pessoal precisam sim serem acompanhadas de perto.
Na gira de Pretos Velhos deste sábado (02/04), Pai Joaquim de Angola falou sobre a preparação. Depois de ouvirmos um ponto específico a seu pedido: “umbanda tem fundamento, é preciso preparar...”, o silencio tomou conta do ambiente. Talvez por encabulamento, afinal, quem ali tinha se preparado como gostaria? Mas acredito que foi aquele silencio de desejo. Desejo de ouvir quem está preparado e maduro para falar.

   Fato isolado 2: Por volta das 17:30 da tarde de sábado, logo no início da gira Pai Márcio traduziu o significado do ponto que se refere a Ogum: Ogum é Tata que Malemê, ou, Ogum é o Pai que tudo perdoa.

Preparação está para tentativa tanto quanto o erro esta para a experiência. Se Ogum é pai que tudo perdoa, quem sou eu para não me perdoar. Pai Joaquim continuou calmamente sua menssagem dizendo que a preparação não começa antes da gira nem tampouco termina quando ela acaba. Sua menssagem foi aquela de quem cuida.
Banhos, ervas, velas ... conjunto de ações dentro do mesmo rito. Mais do que uma forma de potencializar sua ligação com o sagrado, um bem necessário de quem cuida. A preocupação de um pai raramente é mal fundamentada. Se existe o cuidado existe a preocupação, se existe a preocupação pode-se existir o perigo. “As mudanças do cenário ... precisam ser acompanhadas de perto.” Lembra o que disse Rezende a alguns parágrafos a cima? De um lado, ou melhor, de um plano, temos a espiritualidade nos acompanhando de perto, do outro deveriamos visar um auto-acompanhamento pois o cenário muda constantemente, e como muda. Se é Tatá que Malemê, sejamos filhos cuidadosos!  

Fato isolado 3: Por volta das 22:15, Pai Márcio diz que a Umbanda não é brasileira.
Que o Brasil foi colonizado por muitos ladrões, escravos e ‘mulheres da vida’ trazidos pelos Europeus, você já está cansado de saber. Depois do que o Pai Márcio falou sobre a umbanda não ser brasileira e sim uma mistura de crenças (africanas, européias, orientais...) que formaram o que ela é hoje, fiquei me questionando, o que é puro e isento de misturas étnicas hoje em dia?
“As mudanças no cenârio precisam ser acompanhadas de perto...”
No início dos tempos o homem ligava-se à natureza através das pequenas coisas que considerava sagrada. Com o tempo a noção de religião como sitema de crenças começou a desenvolver-se, junto com ela o conceito das populações humanas que professam essas doutrinas. Cristianismo, Islamismo e varios outros ‘ismos’ foram fragmentando-se e dando voz aqueles que queriam falar em nome de Deus. O movimento tarda mas não falha e as mudanças no cenário são como as marés. O cristianismo depois de Lutero dividiu-se em Reforma Protestante, pelo inconformismo religioso apartir do que se via. Para você ter uma idéia, esta ação de Lutero se tornou tão significativa que foi o embrião das igrejas evangélicas que hoje você ouve em altíssimo e bom som ao passar por 12 de cada 10 ruas das cidades brasileiras.
O que quero ressaltar é que a história das religiões se transforma na maneira em que o contexto social assim exige. Se antes os escravos não podiam cultuar seus Orixás, com a democracia temos a laicidade. Se em sistemas religiosos ‘X’, as pessoas eram obrigadas a abaixar a cabeça para aquele que era representante de Deus na Terra, outras ‘Y’ nos dão a liberdade de questionar cada fato que a copõem. Hoje existe um Papa a favor do uso da camisinha, nao é cômico ? A biblia se atualizou através de algum software na internet? ela só vale por 2000 anos, depois precisamos registrá-la e providenciar um belo Upgrade ? ou o que mudou mesmo foi a forma que a entendemos baseado no movimento social e econômico ?
A umbanda pode não ser brasileira, mas que tem a cara do Brasil, isso tem. E salve os novos tempos em que os filhos são criados pelos pais de forma terceirizada. Onde posso pedir pizza as 3 da manhã e recebê-la quentinha em casa. Onde temos centenas de home pages e blogs umbandistas  e mesmo assim conseguimos manter uma umbanda simples dentro do terreiro, conservando sua essência conforme acreditamos.

Fato isolado 4: Na volta do terreiro, ao pagar o cobrador do ônibus, entreguei-lhe uma nota de 10 reais. O troco veio a mais. Ao devolver o dinheiro exedente, ele cocluiu: passo o dia todo vendo as mesmas notas! Rimos.

Eu estou preparado ? estou me preparando ? Acompanho as mudanças do meu cenário pessoal ? e por fim: meu olhar esta vendo apenas aquilo que esta acostumado a ver ?
De que forma você vê sua preparação antes de ir ao terreiro ? Faz seu banho com pressa, jogando a vela branca sobre um pratinho e acendendo-a com tanta velocidade que orgulharia qualquer piloto de formula I ? Dias atrás tapei a boca de uma aluna com fita crepe. Garanto que Piaget e Freire se decepcionaram com meu ato. Claro que o tom de brincadeira deu espaço a muitas risadas em sala de aula, principalmente por parte da ‘amordassada’. O fato é que vivemos em uma sociedade onde o resultado final vale mais que o processo: ou eu mostro trabalho ou não estou trabalhando. Mostrar trabalho dentro do terreiro vai muito além de incorporar e dar passes; consultas e resolver problemas, porque lidamos com fatos e indivíduos e isto está acima de nossas vontades. O ato de acender uma vela e fazer um banho de descarrego não é um fim e sim um meio. Atentemos então para o meio, a forma que estamos fazendo cada coisa e o porquê destas.  Não pense que enquanto tivermos toda uma equipe espiritual nos ‘cuidando’, podemos deixar de fazê-lo.
Não tenha dúvida, os fatos isolados do meu fim de semana se complementam por si só pois de isolados não tem nada. O que acha de pegar a agulha da sua lógica e costurar todos os fatos isolados do seu dia, mês, ano? Isto é preparação e cuidado com você mesmo. Cuidar de si gera preparação e maturidade. Isto é processo. O resultado final será consequência.
Desculpem a ausência no almoço de domingo no Largo da Ordem. Largo da ordem mas não largo do meu domingo em reflexão. Axé e até o próximo ‘Quando a Gira Girou’.

domingo, 20 de março de 2011

Aos Pretos Novos

Pois é, primeiro de abril esta aí. Já preparou sua mentira? Mentir é contra os padrões morais de varias pessoas e é tido como um pecado em muitas religiões. As tradições éticas e filosóficas estão divididas quanto a se uma mentira é alguma situação permissível – Platão disse sim, enquanto Aristóteles, não. O fato é que certas verdades poderiam sim, serem mentiras, por tamanha difilculdade que temos de lidar com elas. Você já ouviu falar do ‘Cais do Valongo’ e do ‘Cemitério dos pretos novos’? Para mim uma verdade em que preferiria nao acreditar, decorrente de um passado nao tão distante, próximo em tempo, espaço físico e esquecido.
Quem chega ao Rio de Janeiro, se depatara com a região portuária, onde está situado o Terminal Rodoviário, e junto com ele histórias e mais estórias, tanto da elite que no século XVIII e XIX tinha esta região como morada nobre, quanto daqueles subordinados desta mesma. Segundo Elio Gaspari, colunista da Folha de São Paulo, em seu texto ‘O Rio ganhou dois presentes da história” da edição de 11 de março: “Devolvido à superfície, o cais do Valongo trará ao século XXI o maior porto de chegada de escravos do mundo. Se ele foi soterrado e esquecido, isso se deveu à astuta amnésia que expulsa o negro da história do Brasil.” Local onde milhares de negros desembarcavam ao chegar em terras brasileiras, este cais será ressucitado, e enquanto memorial, nos fará lembrar da dívida histórica que temos com o continente africano e seu povo.
No sítio arqueológico "Cemitério dos Pretos Novos", localizado na Rua Pedro Ernesto, no bairro da Gamboa, centro da cidade do Rio de Janeiro (região portuária), foi descoberto um dos mais importantes patrimônios históricos da humanidade. Lá eram enterrados os africanos recém-chegados, ou “pretos novos”, que morriam ainda nos armazéns do mercado de escravos. O cemitério funcionou de 1779 a 1831 e foi desativado depois do surgimento da lei que proibia o tráfico de escravos. Na época, o Rio concentrava a maior população urbana de negros escravos do mundo. E, apesar da lei, eles continuaram chegando até 1850. Havia outro bom motivo para a desativação do cemitério: as reclamações dos moradores locais, incomodados com o cheiro dos corpos amontoados e com medo de uma possível disseminação de doenças. Segundo artigos que estou lendo sobre o tema, os cadáveres eram cobertos por tão pouca terra que às vezes a chuva os descobria e eles ficavam amontoados por vários dias.
Se você acha que hoje o Brasil recebe muito bem aqueles que chegam em seu solo, saiba que nem sempre foi assim. O sonho de voltar para junto dos seus antepassados, na África, não se concretizou nem mesmo depois da morte para mais de 600 mil negros trazidos à força no século XIX para serem vendidos em leilões. A morte nos porões dos navios negreiros ou à luz do dia, diante da multidão, quando doentes e atordoados eram arrastados ao mercado de escravos tão logo desembarcavam no Porto do Rio de Janeiro, apenas garantiu a esses africanos morrer antes de serem escravizados no Brasil. Pela tradição religiosa dos negros bantos, cultuada por esse contingente de africanos, vindos de várias partes da África Central, como Luanda, Moçambique, Benguela, Congo, o sepultamento em cova funda era parte importante do ritual para o retorno ao seu continente e o reencontro com os entes queridos. Mas o destino final daqueles que não resistiam aos sofrimentos da viagem era uma área de 110 m2, situada no antigo caminho do bairro de Gamboa.
E você, gostaria que eu estivesse mentindo? Infelizmente os trabalhos de vários pesquisadores não me sede este luxo. Claro que para entendermos melhor o comportamento destas sociedades em questão, precisamos compreender o processo de evolução dos povos. Durante a elaboração da minha monografia do curso de Dança pela Faculdade de Artes do Paraná, pesquisando as sensações corporais na incorporação de Preto Velho na Umbanda, me aproximei deste contexto. Quando nos aproximamos de outra realidade que não a nossa, algumas coisas entendemos, outras nem tanto. Trago até você uma realidade que provavelmente você já conheça, por se tratar daqueles que cultua freqüentemente em uma gira de Pretos Velhos, mas que vale sempre lembrar de forma verdadeira.
Deixemos todas as nossas mentiras para o dia primeiro de abril, e os demais dias, lembremos de algumas verdades que construíram o que somos hoje. Entre grandes, pequenas, ou mentiras necessárias, opte sempre pela grande, pequena ou necessária verdade. Pode acreditar! Este texto vai para todos nós, atores do cotidiano, mestres em pequenas omissões e grandes esquecimentos.    
Que tal abrirmos a gira para os Pretos Novos? Lições de vida não faltarão.
Axé
Referencias:
Cemitério dos pretos novos – HTTP://www.pretosnovos.com.br
Cais do Valongo - http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/03/09
Jornal Folha de SP – Elio Gaspari-  http://acervo.folha.com.br/fsp/2011/3/9/2

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"O quê Oxossi?"

Coluna Releitura - Jornal Sinal de Fumaça - Edição 2

Na primeira gira do ano, especificamente na homenagem a Oxossi, em meio a folhas espalhadas pelo chão do terreiro, fui convidado a conversar com um caboclo desta linha. Ao me sentar em frente daquela entidade e ser invadido por uma alegria indescritível, começou um diálogo no mínimo curioso, pois não conseguia entender uma palavra do que este Caboclo me dizia, conseguia entender sim seu sorriso. Envergonhado, minha única reação era concordar em movimentos de ‘sim’ com a cabeça, e cada vez que me reportava com dúvida: “O que?”, ele, orgulhoso e sorridente, batia bravamente em seu peito e exclamava em alto e bom tom: “Okê”. Vencido pelo cansaço, passei a entender aquele encontro de outra forma. Acredite, diálogos não são feitos apenas de palavras, e ele sabia muito bem disso. Aquela entidade transmitia uma sensação de alegria tão intensa,  que as palavras se tornaram dispensáveis. Quantas vezes em nosso dia-a-dia insistimos em dizer aquilo que poderia se fazer entender em pequenos atos, como aquele sorriso que recebi na primeira gira do ano?  Sem a intenção de entrar nessa questão, convido você a refletir comigo sobre uma fase que é tão acentuada quando somos crianças e que pode se perder ao passar da idade com a mesma naturalidade com que chegou, a fase dos ‘porquês’.
Trabalho com crianças, fato este que me faz refém desta pergunta diariamente. Por volta dos três a quatro anos de idade, a criança desperta para a curiosidade de entender como as coisas funcionam, isto ocorre devido ao fato da construção da própria identidade, quando a criança começa a se descobrir, ter noção do seu próprio “Eu”, da importância da sua existência, das coisas que consegue fazer, que vê ou que ouve. A partir desta descoberta passa a perceber os fatos ao seu redor dando maior ênfase a como tudo acontece, ou seja, os porquês referentes a esses. Essa curiosidade, a busca da compreensão do mundo, é que a levará a fazer novas descobertas, aguçando sua percepção para o aprender.
A Teoria Geral dos Sistemas (T.G.S) originada dos trabalhos do biólogo austríaco Ludwig von Bertalanffy se baseia na necessidade de avaliar uma organização como um todo, e não somente a partir de suas partes. Sem a visão abrangente do todo, tornamo-nos impossibilitados da verdadeira compreensão dos fatos, pois nos habituamos a concluí-los apenas pela visão das partes. Para a T.G.S, a aprendizagem se dá através de RUÍDOS (estímulos), estes geram uma instabilidade que nos tira da zona de conforto e nos obriga a novas organizações reflexivas/corporais. Sugiro a você leitor, propor ruídos a si mesmo e aos que o cercam, para buscar uma compreensão que sem dúvida apaziguara tantos porquês que cercam nosso pensar e muitas vezes não são exteriorizados, tirando cada um de nós dos comodismos diários, sem deixar de espelharmo-nos naquela criança que incessantemente busca o saber.
Após meu diálogo sensorial com o Caboclo de Oxossi e um forte abraço do mesmo seguido de um último “Okê”, fui pego de surpresa pela incorporação de Curumim,  que, curioso, arrastava-se pelo terreiro em busca de novas descobertas, ajudando este cavalo a entender que não existem perguntas erradas, nem tampouco respostas certas, o que existe é apenas o momento em que cada um vive, pois tudo que enxergo é apenas aquilo que minha visão alcança. Jean Piaget, epistemólogo suíço, considerado o maior expoente do estudo cognitivo dizia que

"O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança descobrir...".

Nesta gira em questão, a criança que vos escreve precisou achar seus próprios modos de descobrir. Grandes professores do Astral, deixo aqui minha gratidão para com aqueles que, incansavelmente respondem a todos os nossos “por quê?”, “o que?”, “como?” e “quando?”, nos instigando a criar nossos próprios ruídos.
Axé.

LeiA +

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Resposta de André Bragantini


Este sim é o cara que ouvi falar a manha inteira em humildade. Grande abraço André, força e sucesso.

Resposta de André Bragantini.

Mário, em primeiro lugar gostaria de pedir minhas sinceras desculpas pelo fato do quanto meu comentário lhe ofendeu, apenas quero dizer que não foi minha inteção e devo assumir que me expressei mal. Imagino tudo que você tenha passado e sei que o Brasil ainda é um país preconceituoso quanto a prática masculina do Balé. Só queo lhe dizer que admiro muito sua profissão, sou um apaixonado por danças e adoro dançar, inclusive já fui praticante de varias delas, dentre elas o Tango. Acho o balé mais que um esporte, e sim uma arte, de forma alguma quis ser preconceituoso quanto ao balé, vide minha história, se tem alguém que não tem preconceito a nada, esse alguém sou eu.
Pra você ter uma ideia do quanto gosto de dança, um dos programas favoritos, meu e da minha esposa, é o "So you think you can dance" que passa na TV a cabo, você deve conhecer este programa e nele estão todos os tipos possiveis e imagináveis de dança do mundo, inclusive o balé.
Estou realmente me sentindo mal com isso, pois meu comentário foi totalmente inocente e espontâneo, saiba que não uso esse comentário constantemente em minhas palestras, acho que o usei por ser uma palestra voltada a pessoas do esporte, apenas para exemplificar o sentido do medo, pois acredito que você nao sente medo de dançar balé, assim como devo assumir, já tive medo de praticar o automobilismo, por conta dos acidentes que já sofri. Em uma próxima pelestra tenha certeza que usarei outro exemplo, nao mais o balé.
Este seu email serviu para que eu tivesse mais um exemplo de vida, do qual vou me lembrar sempre. Não sei nem como me retratar a você, apenas gostaria de dizer, que quando você for se apresentar em algum local, por favor, me convide para assisti-lo. Vou levar minha esposa junto para assistirmos sua apresentação.
Me desculpe, novamente, gostaria que acreditasse que não tive a intenção de menosprezar sua arte. Desejo sorte em sua vida e saiba que ganhou um novo admirador. Obrigado pelo seu email.
Grande Abraço

André Bragantini

domingo, 6 de fevereiro de 2011

De um bailarino para um piloto.

Gostaria de compartilhar um fato ocorrido neste fim de semana (5 de fevereiro), em uma palestra que assisti ministrada pelo Piloto André Bragantini. O mesmo atua no Stock Car e é portador da síndrome de  Tourette* .Uma historia de vida fantástica, uma finalização de palestra desastrosa. Sei que este blog é lido pelo público umbandista e a primeira vista pode parecer incoerente com os temas que me propus escrever, mas após uma RELEITURA, verá que enquanto umbandistas podemos sofrer preconceitos corriqueiros, e como digo no final da minha carta ao palestrante em questão: A maneira que me calo sobre uma realidade que conheço, me torno omisso a ela.

De um bailarino para um piloto.
Querido Bragantini, no dia 5 de fevereiro tive a oportunidade de assistir a sua palestra, convidado pelo departamento de esportes do Clube Curitibano, representando o Departamento de Cultura, mais especificamente da Dança. Me chamo Mário, tenho 25 anos e atuo como professor e bailarino.
Comovido pela sua historia, aqui estou para dar um retorno a alguém que tanto lutou e luta para ser reconhecido enquanto profissional e pessoa, em meio a tantas dificuldades que desde pequeno, acompanham sua trajetória, porém o objetivo deste email é falar da minha. Lembro que a ultima frase da sua palestra foi:
“Se eu não quisesse correr riscos colocava uma sapatilha e dançava Balé.”
Nasci no interior do Paraná, em uma cidade chamada União da Vitória, e desde pequeno sentia minha vocação artística falar muito mais alto que qualquer coisa. Depois de me formar técnico em processamento de dados, e iniciar uma faculdade, entrei em contato com o mundo da dança. Acredite André, para mim foi um grande risco colocar uma sapatilha e dançar Balé, tanto que precisava fazer aulas escondido da minha família, se com 9 anos seu pai lhe presenteou com um kart, o meu nunca me presenteou com uma sapatilha. O balé falou tão alto que abandonei tudo, emprego, faculdade, para seguir aquilo que acreditava, e com 17 anos, rumo a Curitiba, fui me profissionalizar na dança.
Passei por inúmeras situações, desde ser atingido por tampas de garrafas a copos plásticos cheios de bebida, por pessoas que devido à grande casca preconceituosa pelo qual eram envoltas, não conseguiam ver aquilo como um trabalho, assim como o seu, assim como o de um advogado, ou de uma diarista, como você mesmo disse em sua palestra.
Portanto, colocar uma sapatilha, é apenas um fragmento de uma realidade muito maior. Hoje além de trabalhar como docente, danço em uma Cia. Masculina de Balé, composta por 28 bailarinos que sem dúvida passaram por historia de aceitação bem piores que a minha. Nunca me esqueço do Fábio, um rapaz de Aracaju, colega de trabalho que saiu de casa acreditando no seu sonho da dança, a dois anos sem falar com sua família, hoje se sente intimidado ao ligar pra casa, pois a primeira pergunta que seu pai faz é se ele conseguiu algum dinheiro para lhes mandar, esquecendo de perguntas básicas como “você está bem?”, pois pra esse pai, não fazia a menor diferença.
Trabalhar com homens na dança, no país do futebol é um grande desafio. Já perdemos muitos para as drogas, outros tantos para o desemprego, e outros simplesmente para má aceitação social, que vincula a arte ao homossexualismo. Talvez se estivéssemos no Rússia, nem eu estaria escrevendo este email, nem você teria dito o que disse, pois lá, berço do Balé Clássico, um pai sorri orgulhoso por ver seu filho integrar na Cia de Balé do Bolshoi, reconhecendo o grande desafio que é tal ramo da arte.
Acredito que o que disse foi espontâneo, mas eu não poderia deixar passar em branco por se tratar de um homem tão querido e batalhador, formador de opinião na maneira que ministra palestras para centenas de pessoas.
Antes de finalizar com um ‘Parabéns’ sincero à forma que venceu e vence suas dificuldades, gostaria de apresentar algumas realidades e espero que estas o toque assim como sua história de vida e sua realidade me tocou. Mando sites de pessoas que escolheram a dança como mecanismo de transformação social, acredite, um grande desafio.
Associação de Balé e Artes Para Cegos
http://www.ciafernandabianchini.org.br
Homem, Ballet e Preconceito
Alunas surdas aprendem Ballet
http://noouvidodegabi.blogspot.com/2010/02/alunas-surdas-aprendem-dancar-pelas.html
Cia Dança Masculina Jair Moraes – Cia. Em que atuo.
Termino com um grande abraço carinhoso de alguém que o admira muito, porém a maneira que me calo sobre uma realidade que conheço, me torno omisso a ela.
Muito sucesso e força.
Mário Patruni

*A síndrome de Tourette ou síndrome de la Tourette,] também referida como SGT ou ST, é uma desordem neurológica ou neuroquímica caracterizada por tiques, reações rápidas, movimentos repentinos (espasmos) ou vocalizações que ocorrem repetidamente da mesma maneira. Esses tiques motores e vocais mudam constantemente de intensidade e não existem duas pessoas no mundo que apresentem os mesmos sintomas. A maioria das pessoas afectadas são do sexo masculino.
A doença foi descrita pela primeira vez em 1825, pelo médico francês Jean Itard. Mais tarde, em 1885, Gilles de la Tourette publicou um relato de nove casos da doença, que denominou maladie des tics convulsifs avec coprolalie ("doença dos tiques convulsivos com coprolalia"). Posteriormente a doença foi renomeada "doença de Gilles de la Tourette", por Charcot, o influente diretor da Salpêtrière.

O que você quer que fique ?

Coluna Releitura – Diferentes formas de olhar para mesma coisa.
Por Mário Patruni
Edição 1
O tempo todo estamos iniciando e concluindo ciclos, seja no âmbito profissional ou pessoal, com a religião não seria diferente. Mais um ano terminou e mais uma vez o mar me chamou para mais perto dele. Nesta virada de ano, assisti a queima de fogos nas areis da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, caminhando por elas observava a quantidade de devotos da nossa Mãe Iemanjá. A cada passo ia de encontro a oferendas e mais oferendas, todas feitas com muito carinho por aqueles que, como forma de agradecimento, deixavam muito mais que algumas velas e flores, deixavam junto seu coração para aquela energia que acolhia a todos, em um lugar onde o espaço de areia ficou pequeno em meio a tantas homenagens. Por vezes iniciamos coisas da qual não conseguimos concluir, por vezes concluímos com êxito, em outras nem tanto. Reencarnação é isso! Você tem idéia de quantas vezes já pisou por essas bandas, o plano material? Nem eu! O fato é que ser umbandista é dar de frente com ciclos iniciados e concluídos o tempo todo. Tente lembrar quantos pontos cantados iniciam e terminam a cada gira, quantos passes são dados, quantas consultas e problemas são resolvidos e quantos outros ainda irão surgir!  Quantas velas você acendeu, no início tendo seu auge e minutos depois seu fim? Nem cera, nem chama. Mas se tudo começa e termina, se inicia e se conclui, o que fica disso tudo?

Fica o que você quiser que fique !

Ficam as conseqüências ! e não entenda essa palavra como algo negativo, que por si só tem uma conotação pesada. Abra o dicionário que tiver em mãos, verá que o significado de conseqüência é: conclusão, continuação que uma coisa pode ter, efeito, continuação. Uma palavra que sem duvida nos remete a movimento, ir e vir, como as ondas da praia da Barra, onde eu conclui mais um ciclo, na minha virada de ano. Sim, vai ficar exatamente o que você quiser que fique disso tudo, pois só você pode reconhecer o quanto de energia depositou nas suas ações, iniciadas e concluídas, só você pode afirmar se concluiu tudo que tinha para ser concluído, com êxito, ou se ao menos esta se dedicando de fato. Às vezes nosso melhor ainda não é o bastante, mas acredite e confie nas conseqüências, no movimento, no ir e vir, no inicio e no fim de cada coisa! Tenho 25 anos, sou umbandista a apenas 2, cada trabalho é uma surpresa, cada surpresa trás um turbilhão de informações para refletirmos, pois, se me falta vivência na estrada da umbanda, me sobra vontade de caminhá-la.
Convido você a caminhar também nesse novo ciclo que esta iniciando, o jornal Sinal de Fumaça do Terreiro de Umbanda Tribo de Aruanda, e neste espaço que chamo de Releitura, a minha palavra pra 2011, novas formas de olhar para a mesma coisa! Concluo esse ciclo, ou melhor, esse texto, com uma frase de Erasmo Shallkytton, poeta maranhense, que em poucas palavras nos fala de nossos desejos, conseqüência de uma energia tão boa que é a conclusão de mais um ano:

“No ano novo, tudo pode se transformar, os desejos são as mais belas obras desse evento anual.”

E para você leitor, que fique desse texto o que tiver que ficar, espero que o bastante para fazer alguma diferença. Muito axé e movimento nas nossas vidas em 2011.  

* foto de oferenda tirada na praia da Barra da Tijuca - Rio de Janeiro